"Agora eu compreendia tudo: Pablo, Mozart, ouvia algures atrás de mim, seu riso espantoso, sabia ter em meu bolso centenas de milhares de figurinhas do jogo da vida, suspeitava emocionado o sentido, tinha intenção de iniciar de novo o jogo, de voltar a estremecer diante de seus desatinos, e voltar a percorrer o inferno do meu interior. Não uma vez, mas para sempre."
"Quiet nights of quiet stars
Quiet chords from my guitar
Floating on the silence that surrounds us
Quiet thoughts and quiet dreams
Quiet walks by quiet streams
And a window looking on the mountains
And the sea, so lovely"
Corcovado, Tom Jobim
"Escuta, eu não quero contar-te o meu desejo
Quero apenas contar-te a minha ternura
Ah se em troca de tanta felicidade que me dás
Eu te pudesse repor
- Eu soubesse repor -
No coração despedaçado
As mais puras alegrias de tua infância!"
Encerrou-se na sexta passada a Cúpula Amazônica dos Governos Locais. O evento contou com um ótimo time de especialistas da região amazônica sobre temas “verdes”, todos bem gabaritados e com anos de experiência e pesquisa.
Nesse sentido, considero o evento um sucesso. Mas duas coisas me incomodaram bastante ao caminhar pelo Studio 5 Centro de Convenções durante os dois dias da Cúpula. O primeiro foi a baixíssima presença de participantes no evento. Os corredores estavam vazios, as palestras idem.
Nos meios de comunicação algumas autoridades presentes falaram sobre “a entrega da opinião do povo amazônico à reunião de Copenhagen”, em referência à Carta Manaus. Desconfio muito dessa afirmação. O povo amazônico não estava presente nos corredores da Cúpula. Creio que nem o amazonense estava. Afinal, ao valor de R$ 250,00 já era esperado que o povo não participasse.
Por fim, a grande surpresa ao final do evento. Muito me preocupa pensar que um gestor que se mostrou tão pouco preocupado com as gestões ambientais em seus primeiros meses de mandato represente toda América Latina na Convenção da ONU.
Será que estão se operando mudanças na consciência ambiental de nossa classe política? Ou será apenas uma coincidência por conta do que Manaus representa para esse encontro da ONU? Ou será se é tudo intere$$e pela REDD, promessa de dinheiro para uma região com tantas diferenças sócio-econômicas?
E você, o que espera da tão falada Convenção da ONU em Copenhagen?
Livro: coisas de monografando Música: Alanis Morissete
1 – Todas as leituras se tornam absurdamente extensas e você passa a questionar se não desenvolveu DDA.
2 – Todas as pessoas que você precisa entrevistar subitamente viajam ou ficam doentes, atravancando o seu trabalho.
3 – Todos os editais de mestrado que te interessam são lançados ao mesmo tempo em que você se desespera para acabar a mono em tempo.
4 – Subitamente você recebe telefonemas a respeito de seleções de emprego maravilhosos. Pena que eles envolvem viagens imediatas...
5 – Familiares e amigos, naturalmente, passam a reclamar de seu sumiço. Até aí tudo bem. O problema é quando passam a organizar tentadoras viagens de última hora...
6 – Filmes, shows, peças de teatro, aquelas caixas especiais com todas as temporadas do seu seriado favorito...ai, ai, a lista de tentações é infinita.
7 – Você passa a contar o tempo por semanas e não mais por dias. É o medo de perder os prazos de entrega...
8 – Quando você está na bem no final do trabalho, sempre tem alguém que comenta: “Nossa, tem um livro que fala EXATAMENTE sobre isso”... ¬¬
9 – Pela primeira vez, em vários anos, quando você pensa no que fará no ano seguinte, percebe que não sabe o que vai fazer. Quando sabe, ainda não tem certeza...
10 – O computador que você usa SEMPRE dá algum problema. É infalível! Tem que fazer mil cópias do mesmo arquivo para garantir...
Quando eu ouvi No Doubt pela primeira vez a Gwen Stefani era assim:
Quando minha irmã começou a ouvir as músicas da Gwen ela já estava assim:
Quando eu ouvi as músicas da shakira pela primeira vez ela era assim:
Meu primo de 15 anos começou a ouvir as músicas da Shakira com ela assim:
Quando tinha 10 anos e meu pai me falava de mutantes eu pensava em pessoas assim: Quando falo de mutantes para meu primo de 10 anos ele pensa em pessoas assim:
Talvez darwin explica essas... E você, já entendeu a lógica da evolução das espécies?
Livro: Memorial de Maria Moura Música: Mutantes - Mutantes
Me pergunto hoje, ao olhar para o quarto, o quanto é triste constatar que tenho muitos livros que ainda não li. É uma sensação incômoda, de desperdício. Não li. Vergonha, vergonha. Estão escondidos no guarda-roupa, na escrivaninha e, ás vezes, em mochilas improvisadas. É uma sensação de perda estranha, amarga. Não sei dizer se seria como um bilhete de viagem que você nunca usou ou é mais como um presente que nunca abriu.
Já parei de comprá-los, para evitar o acúmulo, mas eles continuam a chegar. Empréstimos e presentes de pessoas especiais. Já neguei os empréstimos, mas os livros presenteados continuam sendo oferecidos(Anda bem!). Confesso que não li todos. Me nego a dizer quais. Sempre estou lendo um, mas os anos passaram e o tempo diminuiu.
Ler um livro exige de minha parte uma pequena preparação. Um ritual. Não consigo adentrar no processo se antes não me concentrar. Ou respirar. Ou simplesmente olhar para o azul. Ou beber um café. Tenho amigos que conseguem ler no ônibus! Inveja deles.
Os acadêmicos não entram na conta. Esses fazem parte do ofício, da pesquisa, do ensino. Falo daqueles que você se interessa ao ler o título. Daqueles que ao olhar para a capa você reconhece o autor como um grato narrador de um livro passado.Delícia. Ainda tenho tanto a ler! Porque meu interesse não acaba no meu quarto. Aqui tem só o começo. A cada visita aos amigos, a cada conversa, a cada passada naquela livraria a lista aumenta. E o tempo só diminui...
Não sei ao certo qual foi o primeiro que ganhei. Ok, acabei de descobrir. Busquei aqueles de infância e, para minha sorte, meus pais assinaram as dedicatórias. Contos de Perrault e Lendas e Fábulas do Brasil. Presentes do meu Pai e minha Mãe, respectivamente em outubro de 89. (Ano passado eu reli os dois, que tesouros!) Alguns meses depois, janeiro de 1990, fui presenteado pelas mesmas pessoas com O Pequeno Príncipe, do Antoine de Saint-Exupéri. Quem nunca leu esse?
Gosto de cinema, de barzinho e de música. E acabo me dedicando mais a isso, pois é possível estar junto de outros. Aí fico devendo aos meus livros. Peço perdão a eles e aos amigos que me presentearam recentemente. Irei ler todos, prometo. E quem quiser me presentear com mais um, não se preocupe, são todos bem vindos!
Para todos nós que seguimos sob o ritmo dos ponteiros...
Quanto tempo faz? Será se faz o mesmo para mim e para você Afinal, todos nós pensamos o tempo de um jeito diferente...
AH! OS RELÓGIOS
"Amigos, não consultem os relógios quando um dia eu me for de vossas vidas em seus fúteis problemas tão perdidas que até parecem mais uns necrológios... Porque o tempo é uma invenção da morte: não o conhece a vida - a verdadeira - em que basta um momento de poesia para nos dar a eternidade inteira. Inteira, sim, porque essa vida eterna somente por si mesma é dividida: não cabe, a cada qual, uma porção. E os Anjos entreolham-se espantados quando alguém - ao voltar a si da vida - acaso lhes indaga que horas são..."
Mario Quintana - A Cor do Invisível
E para você, O que é o tempo?
Livro: Sentimento do Mundo - Carlos Drummond Música: Feeling Good - Nina Simone
Contextualizando para quem não sabe ou não vive em Manaus: está sendo realizada a 61ª Reunião da SBPC, dentro do campus da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Duas coisas perigam tornar a estadia dos visitantes inesquecível: obras na Bola do Coroado, um dos acessos para o Campus, e um calor que te faz pensar em jogar milho pro alto e esperar chuva de pipoca.
Na área da exposição ventiladores imensos e tubos de refrigeração funcionam à toda para garantir o bem estar geral. Stands de todos os tamanhos, formas (tem até um barco!) e atrativos. Bem no meio da exposição, estrategicamente posicionadas, barraquinhas vendem açaí e guaraná. Delícia! Alguém falou de um lugar onde astrônomos possibilitam que se passe horas e horas vendo o céu. Ainda não achei, mas vou procurar mais.
Palestras, conferências e mesas redondas de todas as áreas. O evento é tão grande que é impossível o congressista não ter que escolher com dificuldade entre as oportunidades. As bolsas que os participantes ganham no credenciamento fizeram sucesso. E elas, com seus respectivos donos, podem ser vistas passeando aos montes pelo centro da cidade.
Pelos corredores do ICHL estão afixados banners de todas áreas de pesquisa. O horário obrigatório para presença dos autores, entre 13:30 e 15:30, é ingrato para quem não gosta de calor. Mas não falta animação: fotos em grupos, fotos com as àrvores e, claro, foto junto ao banner: “minha mãe é muito coruja”, justificou um rapaz com sotaque mineiro.
O calor aumentava ao longo da tarde e várias pessoas, com sotaques vindos de todo país, comentavam. Água, muita água. E uma fila enorme para adquiri-la. Os curitibanos falavam sobre o frio que está fazendo lá na terra deles. Os paraenses perguntavam indicações de como chegar ao Largo São Sebastião e demais prédios históricos da cidade. E os paulistas falavam admirados sobre o campus que está “no meio da floresta”.
A tarde acabou e o calor com ela. O movimento para sair do campus aumentou. Mas ainda foi possível encontrar um grupo de pernambucanos provarem e elogiarem o pão com tucumã, em meio a risadas. “E essa tapioca daqui, é que nem de Olinda?”.
No corredor, um aluno da Unicamp responde: “Ih, não é só aqui não. Lá na universidade também reclamamos um monte disso...”. Talvez Manaus nem esteja tão longe assim... e seria tão bom se ela estivesse sempre tão perto, como nessa semana...
Quando eu fiquei sabendo da decisão do Superior Tribunal Federal (STF), quis escrever algo a respeito. Mas estava meio chocado. Preferi me acalmar e pensar mais. Pouco após começar a escrever, eu li o post do Felipe no Café de Onça sobre o assunto. O texto me intrigou, principalmente por eu e o Felipe nos conhecermos do curso de Jornalismo.
A primeira coisa que pensei ao saber da decisão é que a universidade não foi estruturada para que as pessoas aprendessem técnicas profissionais. Para isso existem cursos técnicos. Uma formação universitária pressupõe MUITO mais. Já escrevi sobre isso aqui.
Não compartilho a mesma opinião do Felipe a respeito do que se aprende no curso de jornalismo. Estou há 4 anos na universidade e de vez em quando sinto que ainda tenho muito o que aprender! Não culpo os professores por isso e nem me considero (muito) relapso. Simplesmente entendo que me foquei nas aplicações que mais gostava na área de atuação jornalística.
Não vejo a derrubada da obrigatoriedade como uma exclusão das pessoas formadas do mercado de trabalho. Quem tem qualidade vai conseguir seu espaço. O problema é a inclusão de pessoas que atendam requisitos técnicos mas que não tenham conhecimento teórico ou noção de ética em veículos de comunicação.
Ah, e existe outra infeliz conseqüência da decisão do STF: a partir de agora os recém-formados irão concorrer a vagas nas quais a renumeração inicial será correspondente a quem tem ensino médio. Acredito que ao competir com pessoas sem faculdade, a maioria dos bacharéis em jornalismo serão aprovados nas seleções, mas não terão mais a garantia de um piso salarial... Não me parece justo após 4 anos de faculdade.
Li várias matérias e blogs sobre o assunto. Quem defende a decisão do STF sempre cita os raríssimos casos de pessoas sem formação que se tornaram jornalistas famosos. Parece-me um argumento bem fraco. Eu conheço muitas pessoas nessa situação que trabalham em TVs, rádio e jornais locais e não produzem material de qualidade. Esse pessoal é a regra, os Rodrigues (citados no Café de Onça, por exemplo) são uma saudosa exceção.
Desde 2001 muito se falou sobre a questão talento versus diploma de jornalismo. Acho que é a isso que o Felipe se refere em seu texto, quando fala sobre “coisas a mais que o jornalista precisa”. Se for o caso, concordo que talento não se aprende em curso algum. Mas, se talento não se ensina na universidade, será ensinado aonde? No ensino médio? Jornalismo também não é só talento...
Pro fim, meu colega de curso afirmou em seu texto que vai ser difícil encontrar pessoas querendo atuar como jornalistas. Eu vou finalizar o meu com duas idéias que tenho sobre isso: políticos oportunistas, que já fazem curral eleitoral por meio de programas de auditório, e pseudo-celebridades, que costumam se promover participando de reality-shows.
Enfim, um grande abraço para o Felipe. Ah, e acabei de ler o texto do Leseira Baré sobre o mesmo assunto. Recomendo a todos.
E você, o que pensa sobre isso?
Livro: Janelas do Ciberespaço, A Aventura da Reportagem e Estrutura da Notícia.
Odeia quando perguntam se você está namorando? Não agüenta mais ver propagandas nojentas com pseudo-romance ou mesmo publicidade barata de motel na TV? Sem nada marcado na agenda para o dia 12? Sem saco para sair pra uma festa e fazer/levar cantadas baratas e desesperadas? Está a fim de pôr o pé na jaca em paz, sem ninguém te importunando?
Resumindo, está a fim de curtir uma baixo-astral sem perigo de chatear ou ser chateado? Quer ficar deprê sem ter que explicar para ninguém? Tuuuuudo bem. Aqui no Conceito Au ninguém vai te julgar por isso. Seguem dicas para noite solitária no dia 12.
1) Álvaro de Campos – Um dos ‘eus’ do Fernando Pessoa. Para quem deseja esquecer completamente o dia 12... O gajo escreveu poemas muitos belos... e um pouquinho tristes. Mas só um pouquinho. Aí vai um trecho:
Apostila
“... Aproveitar o tempo! Meu coração está cansado como mendigo verdadeiro. Meu celebro está pronto como um fardo posto ao canto. Meu canto (verbalismo!) está tal como está e é triste. Aproveitar o tempo! Desde que comecei a escrever passara cinco minutos. Aproveite-os ou não? Se não sei se os aproveitei, que saberei de outros minutos?”
2) Delicate – Qualquer música do Damien Rice é apropriada para quem não quer esquecer de verdade... O irlândes tem um vasto repertório de dores de cotovelo e relacionamentos acabados. Acompanhado de chocolate e, para quem gosta, vinho.
3) A Rosa Púrpura do Cairo – Eu sei, eu sei... a canção é animada, mas não se iluda. O Woody Allen é perfeccionista e a Mia Farrow quase que faz a personagem dela pular da tela e sair andando. Não esqueça que o filme se passa durante a Grande Depressão... e isso é uma pista.
Enfim, existem muitas outras coisas belas e tristes por aí... o importante é curtir o programa a sós e, no pós-ressaca, largar de mão o baixo-astral. Afinal, nada melhor que um dia cinzento seguido de um cheio de cores...
08:30h. Em casa, esperando a hora de sair para a faculdade, lendo o final de um livro que escolhi para passar o tempo.
“No único jornal da oposição, vibrantes plumitivos botaram a boca no mundo, em artigos, sueltos e a pedidos, que respingavam, todos eles, indignação, vergonha e sangue, falando na volta dos tempos ignominiosos quando o sul do Estado era terra de criminosos desnaturado, monstros desalmados, bandidos sem lei. Os três diários governistas, não menos veementes, retrucaram que, muito ao contrário, o que se dera fora a imposição da ordem e da lei em remanescente valhacouto de bandidos, réus confessos e condenados, trânsfugas fugidos da polícia. Simples, rotineira operação de limpeza que viera pôr termo aos últimos resíduos de uma era de infâmia e barbárie.” – Tocaia Grande, Jorge Amado, 1984.
10:05h. Corredor da faculdade, esperando colegas para reunião de trabalho, lendo livro para apresentação de um seminário.
“Apesar de durante toda semana sermos levados diariamente do PIC para o Ministério, este foi até um período de recuperação, posto que não havia a selvageria precedente. Inclusive, o Major Horta, encarregado do inquérito, respeitou-nos a integridade física. (...) Na sexta-feira assinamos um depoimento onde negávamos as acusações que nos faziam. Parecia que a fase mais difícil havia passado... e era apenas o começo.” – Contido a Bala, Luiz Maklouf Carvalho, 1994
11:30h. Parada de ônibus, fulo por ninguém mais ter ido à reunião. Lendo um folheto entregue por uma professora da faculdade, minutos antes.
“Em 1975, fui testemunha das invasões da Biblioteca Central da Universidade de Brasília por meganhas das polícias militares de Minas Gerais e Goiás. Os beleguins atiravam livros pelas janelas e depois fizeram uma fogueira de ‘literatura subversiva’. Na USP os esbirros se matriculavam para espionar os professores. E muitos absurdos eram cometidos diariamente.” – A inviolabilidade do Campus, artigo publicado no A Crítica, Márcio Souza, 2009.
Seria minha vida um filme de esquerda pós-ditadura?