sábado, 28 de agosto de 2010

Palavras

Aí ele prosseguiu explicando que "as palavras das línguas naturais nada mais são que uma relação constante entre os significantes (som) e os significados (conceitos)". 


E assim fica mais fácil entender o poder das palavras e as palavras de poder. As palavras são indissociáveis dos conceitos. Mas uma só palavra pode ter vários deles... 

Penso que não haveria tanta incompreensão no mundo se as pessoas conhecessem essa idéia... As palavras viram jogos, infantis ou de poder. E a cada nova jogada são construídas as idéias e, por meio delas, o mundo de cada um. 

By Doutor Estranho

sábado, 7 de agosto de 2010

Aquela versão...

A capa


Em 1971, Gal Costa lançou um álbum duplo com os registros de uma série de shows realizados no Teatro Tereza Raquel, Rio de Janeiro. O álbum foi batizado de FA-TAL Gal A todo vapor e apresenta grandes interpretações.

Para se ter uma idéia do porte do projeto, a produção do álbum contou com a direção de Roberto Menescal, o show teve direção musical de Lanny Gordin e a direção geral de Waly Salomão. O álbum, inclusive, manteve os erros e as diferentes versões executadas pela cantora e sua banda no palco.

Destaque para as faixas Coração Vagabundo e Como 2 e 2, de Caetano Veloso, Antonico, de Ismael Silva, e Vapor Barato, de Jards Macalé e Waly Salomão. Também se destaca versão de Sua Insensatez de Roberto e Erasmo Carlos. A escolha da canção surpreendeu o público da Gal, por conta da fama de alienados que os 'tremendões' tinham na época. 

O fato é que Gal não ligava para a carreira 'Restart' do pessoal da Jovem Guarda e mandou bem na interpretação. Os versos “Meu bem, meu bem/ Use a inteligência uma vez só/ Quantos idiotas vivem só, sem ter amor” ganham outros sentidos na voz de Gal. Vale a pena conferir.

E você, conhece outra dessas interpretações inusitadas?

By Doutor Estranho 

domingo, 18 de julho de 2010

Influências


Por conta da paixão e das fitas k7 do meu pai, eu conheci a Legião bem cedo. E por meio de Renato e cia conheci Paralamas, Titãs, Cazuza, Beatles, Neil Young, Queen, Joni Mitchel, Beatles, Caetano, Mutantes e tudo o mais. E não foi só música não. Antes de ouvir Legião eu desconhecia completamente Rimbaud, Van Gogh e Manuel Bandeira. Foi o pontapé inicial. 

Só o que não vi, até hoje, foram os filmes do Godard...

By Doutor Estranho

domingo, 11 de julho de 2010

Sobre vidas plásticas...


Aconteceu e ainda está acontecendo.


E depois dessa música, todas as conversas sobre o assunto tornaram-se clichês.


By Doutor Estranho

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Sobre as intermitências da morte (e da vida)




"Ele adormeceu, ela não. Então ela, a morte, levantou-se, abriu a bolsa que tinha deixado na sala e retirou a carta de cor violeta. Olhou em redor, como se estivesse à procura de um lugar onde a pudesse deixar, sobre o piano, metida entre as cordas do violoncelo, ou então no próprio quarto, debaixo da almofada em que a cabeça do homem descansava. Não o fez. Saiu para a cozinha, acendeu um fósforo, um fósforo humilde, ela que poderia desfazer o papel com um olhar, reduzi-lo a uma impalpável poeira, ela que poderia pegar-lhe fogo só com o contacto dos dedos, e era um simples fósforo, o fósforo comum, o fósforo de todos os dias, que fazia arder a carta da morte, essa que só a morte podia destruir. Não ficaram cinzas. A morte voltou para cama, abraçou-se ao homem e, sem compreender o que lhe estava a suceder, ela que nunca dormia, sentiu que o sono lhe fazia descair suavemente as pálpebras. No dia seguinte, ninguém morreu."

José Saramago em As Intermitências da Morte, publicado em 2005.

...


sábado, 12 de junho de 2010

Não por acaso...













... eu lembrei de alguns filmes hoje. 


By Doutor Estranho


quarta-feira, 2 de junho de 2010

Comunicação e Cidadania




Na próxima segunda-feira (07/06) acontece a XVIII Semana de Estudos da Comunicação da Ufam. O tema desse ano é  Comunicação para a Promoção da Cidadania e o evento está sendo organizado com apoio de entidades e projetos do Departamento de Comunicação, como PetCom, Maloca Digital, PPGCCOM e Cucos.

No primeiro dia de evento haverá uma palestra com o professor de pós-graduação e assessor especial da Secom da Presidência da República, Jorge Duarte. Ele é autor e organizador de livros sobre comunicação, entre eles "Mercosul sob os olhos do mundo" e "Comunicação Pública: estado, mercado, sociedade e interesse público”.

Também serão realizadas mostras de trabalho, mesas-redondas, oficinas e mini-cursos. Todas oficinas acontecerão pela parte da tarde e contam com uma programação bem variada. Destaco as de Jornalismo Online, Edição de Vídeo para Internet, Teatro e Cidadania, Telejornalismo e Produção Publicitária, entre outras.  

A inscrição custa apenas 1 kg de um alimento não-perecível ou 1 litro de leite longa vida a cada  participação em  oficina ou seminário. Os alimentos serão doados para o Grupo Raio de Sol, ONG que auxilia crianças com doenças de sangue no interior do Amazonas.

Você pode encontrar mais informações, inscrições e programação completa sobre o evento aqui e saber mais sobre o trabalho do Grupo raio de Sol aqui.

E você caro (e)leitor, como acha que a comunicação promove a cidadania?

By Doutor Estranho


sábado, 10 de abril de 2010

Y








Publicada entre 2002 e 2008, a história em quadrinhos "Y - The Last Man" narra a trajetória de Yorick Brown e seu macaquinho Ampersand - os únicos  sobreviventes de uma epidemia que exterminou todos mamíferos com cromossomo Y do planeta. 

Roterizada por Brian K. Vaughn (da ótima HQ Ex Machina) com desenhos de Pia Guerra, a série conta em 60 edições a evolução do protagonista, evidenciando a diferença entre um garoto e um homem. Fugindo de uma discussão sexista fácil e superficial, o enredo foca em questões mais existenciais sem perder o humor ou mesmo a ação típica dos quadrinhos.



Yorick pretende atravessar o Oceano Pacífico para reencontrar sua namorada Beth, mas antes precisa acompanhar a geneticista Dra. Rann na busca por uma cura para a praga. Para garantir que os dois alcancem esse objetivo, a presidente norte-americana os coloca sob proteção da agente do serviço secreto 355 (isso mesmo, ela se identifica apenas pelo nome).

Outra coadjuvante importante é a irmã de Yorick, Herói, que após a epidemia junta-se a uma gangue de fanáticas que se intitulam Filhas da Amazona. A líder dessas mulheres atribui a extinção dos homens a um desígnio divino e é uma das vilãs mais complexas de Y.



A série é empolgante e conta com duas grandes qualidades: o enfoque nos personagens e grande quantidade de referências que o texto faz. O nome do protagonista e de sua irmã, por exemplo, são de personagens de shakspeare e Ampersand é o nome do “&”.

Conhecemos mais sobre os personagens através de surpreendentes flashbacks. Esse recurso narrativo me lembrou muito o seriado Lost (do qual sou fã), mas aqui é utilizado com toda liberdade que uma HQ possibilita.



Brian é produtor de Lost e chegou a roterizar alguns episódios da série (entre eles o que apresenta a equipe de Naomi e outro que conta a passagem de Desmond pelo monastério), mas ele já utilizava os flashbacks em Y dois anos antes do seriado ir ao ar. De qualquer forma, acredito que quem gostar de Lost vai gostar de Y também! Eu recomendo!








By Doutor Estranho

domingo, 7 de março de 2010

Oscar 2010 – Parte final

Daqui a pouco tempo a cerimônia terá início, mas é como se diz, antes tarde que nunca...


O texto a seguir contém spoilers!





Um sonho possível



Nesse tocante filme baseado na história real de um atleta do futebol norte-americano, somos apresentados a Big Mike, interpretado por Quinton Aaron, um problemático adolescente. Após ser matriculado em um colégio de ricos pelo último de seus muitos pais adotivos, Mike conhece a família de Leigh Anne Tuhue, uma madame meio perua, meio cristã interpretada por Sandra Bullock. A partir daí acompanhamos os personagens envolvidos nessa história de superação. O filme é daqueles dramas familiares feitos para atingir o telespectador, mas se sobressai graças às boas atuações e o roteiro cativante.



Distrito 9



A ficção com linguagem de documentário do diretor Neill Blumkamp é, de longe, o mais distante do perfil do Oscar entre os indicados. Cheio de metáforas sociais, o filme conta a insólita situação de um gueto alienígena formado na cidade sul-africana de Joanesburgo. Há 20 anos presos na cidade com sua nave-mãe flutuando quilômetros acima do local que nomeia o filme, os “camarões”, nome pejorativo que os humanos usam para se referir aos visitantes especiais, serão removidos pelo governo para um local distante dos olhos da população. A partir daí o filme se torna um game com armas extraterrestres e um humano infectado por DNA alien. Surpreendente!



Agora é fazer pipoca e assistir a cerimônia, que começa em meia hora!





By Doutor Estranho

sexta-feira, 5 de março de 2010

Oscar 2010 – Parte 2

Prossseguindo com os indicados a Melhor Filme do Oscar 2010...

O TEXTO A SEGUIR CONTÉM SPOILERS!

Up – Altas aventuras



Não é fácil aprender a lidar com perdas. Lidar com a morte de um ente querido é um desafio na vida de todo ser humano. E é exatamente sobre o luto que fala o novo filme da Pixar, dirigido por Pete Docter, que já nos 10 minutos iniciais nos apresenta uma sequência emocionante. Mas como todo filme inteligente, Up não se restringe a esse tema. O filme também fala sobre problemas familiares, a frustração de sonhos não realizados, o destino de quem se deixa levar por suas obsessões e sobre não ser aceito no grupo. Ah, e provoca muitas gargalhadas. Recomendo aos que gostam de rir e também aos que gostam de chorar, independente da idade!

Um homem sério



Assim como Bastardos é marcado pelo estlilo de Tarantino, Um homem sério tem a marca dos irmãos Joel e Ethan Coen. Seja nos planos de filmagem gravados de forma lenta,  no humor negro ou no simbolismo presente em muitas cenas, o filme leva a assinatura dos Coen. Pessoalmente só entendi o início após metade do filme, por conta da opção dos irmãos de contar uma história para ilustrar um hipertexto  ou uma idéia maior. Se por um lado isso abre uma riqueza de interpretações e questionamentos, por outro deixa muitos telespectadores insatisfeitos. Apesar de ter me irritado muito com o azar do protagonista na primeira metade, na segunda me encantei com a crítica dos diretores.     

Educação



Jenny, interpretada por Carey Mulligan, é estudante em uma conservadora escolade Londres, na qual passa os dias tirando as melhores notas e sonhando em um dia viver uma extasiante vida cultural em Paris. Para tanto ela se esmera para entrar em Oxford, sonho imposto por seu pai - interpretado impecavelmente por Alfred Molina. Até que surge o charmoso e perspicaz David, interpretado pelo excelente Peter Sarsgaard (sou fâ mesmo!), que pode realizar os sonhos da mocinha. Educação é um trabalho caprichado da diretora Lone Scherfig e de imediato nos remete a Gilmore Girls, com suas devidas adaptações. O problema são os clichês envolvidos e aquela velha idéia de que é o vestibular que vai definir a vida de um estudante.

Guerra ao Terror



As duas horas do filme de Kathryn Bigelow irradiam adrenalina e testosterona. Focada nas missões da companhia Bravo de fuzileiros, responsável por desarmar bombas que ameacem civils e soldados americanos durante a ocupação do Iraque, a história retrata o quão enlouquecedora pode ser uma guerra. Mais do que o medo, a culpa ou os pensamentos suicidas, o vício pela ação é o distúrbio que pode custar mais caro aos personagens. O ritmo é frenético e pontuado pela contagem dos dias para o regresso para casa. No fim, Guerra ao Terror é um retrato inquietante sobre os soldados que atuam na guerra e a população que é vítima desses conflitos. Pode ser também a melhor vingança que uma mulher já aplicou ao seu ex-marido, uma vez que é beeem superior à Avatar.

Antes da premiação do Oscar publicarei os textos sobre os dois filmes que faltam: Distrito 9 e Um sonho possível. Aguardem!

By Doutor Estranho